Taxação de importações chinesas de soja pode favorecer ainda mais prêmios no Brasil

Medida anunciada na madrugada desta quarta-feira (04) pela China deve mudar “rotas” de importação e exportação da oleaginosa.

Após a China anunciar nesta quarta-feira (04) uma nova lista de produtos norte-americanos a serem taxados, incluindo a tarifa de 25% sobre a soja, o mercado da oleaginosa já especula os impactos desta medida, que pode mudar “rotas” de importação e exportação do grão pelo mundo.

“Apesar de o Brasil ser o maior exportador da oleaginosa para os chineses, que compraram 53,8 milhões de toneladas de um total de 68,15 milhões de toneladas exportadas em 2017, o país ainda precisa buscar em outros fornecedores mais de 40 milhões de toneladas de soja, com destaque para os EUA, uma vez que as exportações da Argentina são mais baixas, com o país focando no esmagamento interno e exportações do farelo de soja”, avaliou a consultoria INTL FCStone, em relatório.

Segundo análise do grupo, num cenário em que esta taxa de 25% se efetive, a procura pela soja brasileira tenderia a aumentar ainda mais, com a China deslocando outros possíveis compradores do grão do Brasil.

“No limite, considerando que a China fosse o destino de toda a exportação de soja brasileira, estimadas em 69,5 milhões de toneladas em 2018 pela INTL FCStone, ainda faltariam cerca de 30 milhões de toneladas da oleaginosa para atender a totalidade das importações chinesas. Dessa forma, não teria como deixar de importar soja dos EUA”, explica a Analista de Mercado, Ana Luiza Lodi.

De qualquer maneira, uma procura muito maior pela oleaginosa brasileira por parte da China tenderia a fortalecer ainda mais os prêmios no mercado doméstico, enquanto a queda da demanda pelo produto norte-americano levaria a prêmios mais baixos nos EUA. Ademais, os preços em Chicago também tenderiam a ser impactados no sentido da baixa, o que anularia, pelos menos em parte, os prêmios mais altos no Brasil. “No geral, os prêmios no Brasil tenderiam subir até o limite comparável de se comprar dos EUA, já considerando o imposto de 25%”, resume a Analista da INTL FCStone, Ana Luiza.

Em relatório, a consultoria avalia que existiria a possibilidade de o Brasil direcionar uma maior parte da soja em grão para o mercado externo, diminuindo o esmagamento. Contudo, destaca-se que a margem de esmagamento está favorável no mercado interno, considerando o aumento da mistura de biodiesel no diesel para 10% (B10).

“O aumento dos prêmios para exportação da soja em grão precisaria compensar os ganhos com o esmagamento e venda dos subprodutos, para resultar em uma diminuição considerável do direcionamento da soja para mercado interno, favorecendo um aumento muito grande dos embarques internacionais”, avaliou a Analista Ana Luiza Lodi, sobre o impacto no cenário doméstico. Ademais, como o consumo de farelo e óleo é grande no mercado doméstico, o Brasil precisaria encontrar alternativas para suprir essa demanda, caso um percentual muito maior da soja acabar sendo direcionado para o exterior.

Por: INTL FCStone

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Vicente Delgado

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