Os contratos futuros na Bolsa de Chicago trabalham em ligeira baixa nesta quarta-feira (12/07)

O contrato de novembro/17 opera nesta madrugada com queda de 7 centavos, a US$ 1036,25 cents/bushel. O movimento noturno está aquecido com 20 mil contratos negociados até o momento.

Hoje é dia de relatório mensal de oferta e demanda do USDA. Historicamente, o relatório de julho não traz grandes modificações em relação ao relatório de junho, no que se refere a “safra velha”, que nesse caso agora será a safra 16/17. Isso se deve ao fato de que, geralmente, os números de produção da safra velha já estão mais do que consolidados, assim também como consumo interno, exportações. Com esses 3 fatores estabilizados, os estoques também não tem como mudar muito para a safra vigente, ficando as surpresas para a safra “nova”, principalmente quando está em andamento algum processo climático danoso, como foi em 2012 por exemplo.

Mas em 2017, temos um fator novo, e potencialmente altista. Trata-se das exportações de safra 16/17 que, até o momento, estão muito acima das estimativas do USDA. O Departamento de Agricultura dos EUA prevê exportações americanas em 55,7 milhões de tons até o final de agosto. Ocorre que, pelas vendas realizadas até agora, as exportações já estão em quase 60 milhões de tons.

É normal ocorrer um descolamento, entre as vendas realizadas e a projeção dos USDA, porque a qualquer momento, podem ocorrer grandes cancelamentos de compras. Por isso, geralmente o USDA deixa para alterar esses números no relatório de agosto. No entanto, o descolamento entre as vendas realizadas até o momento e a estimativa final de exportações do USDA está muito grande. E se não ocorrerem estes cancelamentos nas próximas semanas, aí o USDA terá que deixar pra fazer todo o ajuste no relatório de agosto.

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Alguns analistas acreditam que o USDA pode realizar diversos ajustes para “comportar” um aumento das exportações, sem reduzir muito os estoques, já nesse relatório de julho. Isso passa por aumentar um pouco os estoques iniciais da safra 16/17, reduzir um pouco o consumo interno, e até mesmo elevar um pouco a produção, fazendo com que não ocorra imediatamente um impacto de 2 a 3 milhões de toneladas a menos nos estoques. Mas só saberemos hoje ao final da tarde.

Em meio a tudo isso, o furor especulativo do período mais crítico e sensível do “mercado de clima”, com seus mapas de projeções climáticos sendo atualizados ao longo do dia em seu variado gradiante de modelos matemáticos públicos e privados.

Graficamente, há a impressão que o mercado “cansou” depois de tantas altas seguidas. Já estamos a 3 dias seguidos com máximas batendo na casa dos US$ 1040,00 cents/bushel, e uma correção é iminente. Também chama a atenção a formação de um clássico “Hanging Man Candle” ontem, que se não for atropelado pelo clima e o relatório do USDA, deve dar início ao movimento de ajuste, ao menos técnico. No dia 06 de julho recente, também houve um “Hanging Man” no gráfico, mas que foi categoricamente desfeito por novas projeções de clima quente e seco, sobretudo nas Dakotas.

 

Gráfico Miguel Biegai

 

Fonte: OTCex Group

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