Mesmo com problemas climáticos pontuais, produtividade surpreendeu; margem do produtor também deve aumentar em relação ao ciclo anterior.
Mesmo com condições climáticas não ideais em algumas regiões do país, a safra 2017/2018 de soja do país deve ser recorde e alcançar 118,9 milhões de toneladas, segundo dados do Rally da Safra 2018, que avaliou 1.100 lavouras no país desde o começo do ano. A produtividade média também avançou para 56,5 sacas/ha ante 56,3 sc/ha em 2016/2017. “Se o clima tivesse se comportado como no ano passado, teríamos ultrapassado 120 milhões de toneladas e 57 sc/ha de produtividade”, afirma André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult.
Para Pessôa, os dados da safra confirmam que o teto produtivo do país mudou de patamar, com mais fazendas ultrapassando as 50 sc/ha a cada ano. Outro aspecto positivo do ciclo são os aumentos recentes – e inesperados – de preços depois do anúncio de quebra de safra da Argentina. “Como a comercialização estava em um nível baixo, os produtores se beneficiaram disso e hoje ela já está em linha com outros anos”, diz o sócio-diretor da consultoria.
A melhora nos preços e na produtividade, além de um câmbio acima do esperado, deve aumentar a rentabilidade do produtor, o que pode se traduzir em mais investimentos para a próxima safra, inclusive com crescimento de 1 milhão de hectares de área cultivada.
Em relação à produção total de grãos, a Agroconsult, realizadora do Rally, estima 232 milhões de toneladas, abaixo do registrado na safra anterior, em grande parte pela redução da safra de milho.
Regiões – A maior parte das regiões do país registrou crescimento expressivo de produtividade. A exceção foi a Sul. “O sul do Rio Grande do Sul é a única área em que podemos falar de uma quebra de safra por causa da seca”. A produtividade esperada é de 53,7 sc/ha, abaixo das 56 sc/ha da temporada passada. O ciclo mais alongado no Oeste e Norte do Paraná – com uma maior exposição a doenças – também impactou a produção do Estado, com o rendimento por hectare caindo de recordes 62,2 sacas para 57,6.
Já o Matopiba deve ter seu melhor desempenho da história, com crescimento de produtividade em todos os Estados. A expectativa, então, é de aumento nos investimentos para a próxima safra, seja em melhoria do perfil do solo ou abertura de áreas. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais também tiveram bom desempenho, com altas produtividades em boa parte das microrregiões.
Protecionismo americano – A guerra comercial entre Estados Unidos e parceiros como México e China podem ter efeitos positivos para o Brasil. Pessôa não acredita em uma ruptura entre EUA e China, já que a indústria do país asiático depende do farelo de soja norte-americano – e Brasil e Argentina não conseguiriam suprir a demanda de um ano para o outro -, porém o movimento pode trazer mudanças. “Com a insegurança, o interesse chinês e mexicano na soja e no milho brasileiros pode aumentar”. A projeção é de que as exportações brasileiras atinjam 72 milhões de toneladas em 2018.
Milho – A Agroconsult projeta uma segunda safra de milho de 63 milhões de toneladas, quase 6 milhões abaixo da anterior. No total do ano, a produção pode encolher em 11 milhões de toneladas. “Mas temos que esperar pelas chuvas de abril. Podemos ter surpresas positivas da safrinha”.
Em relação aos preços, se a expectativa de redução da área de milho dos EUA se confirmar, podemos ter um mercado internacional mais firme no segundo semestre. Isso combinado a um câmbio favorável e uma queda de produção na Argentina deve favorecer as exportações brasileiras. Nesse cenário, os preços devem ser melhores do que os da safra 2016/2017.
Para 2018/2019, a área de milho verão deve continuar caindo, principalmente na região Sul, já que a atratividade da soja estará maior. Porém, é esperada uma retomada da produção na safrinha.
Fonte: DBO
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