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A hostilidade cruel contra os produtores de leite de pequeno e médio porte

Parece inacreditável, mas muitos pseudointelectuais, bisonhos, que se divulgam doutores em políticas públicas desenvolvem cada mais seu ativismo silencioso contra os produtores de leite de menor porte. São os teóricos da quantidade como valor absoluto.

Ao contexto: O Brasil tem mais de um milhão de estabelecimentos que produzem leite. Mais de 400 mil, produzem menos de 10 kg por dia. Em cerca de 50 mil propriedades é produzida em torno de 50% da produção total do Brasil. Há diferenças na qualidade do leite e diferenças de ponta a ponta nos sistemas de produção.

Em linha direta, há quem conclua que o pequeno e o médio depreciam a qualidade do leite do País. O culpado é o pequeno! Acrescentam que não tem manejo adequado, não tem sanidade desejável no rebanho, não tem armazenamento e transporte como deveria ser, não tem higiene. São esses, os inimigos da nossa produção, da nossa competitividade. Temos que mudar o quadro geral, defendem. Bradam: vamos reduzir brutalmente o número de pequenos para aumentarmos a eficiência do sistema! A qualidade vai aumentar…

O raciocínio simplificado revela uma contabilidade medíocre: ser grande é a solução. Muitas indústrias de processamento de leite aplaudem: vamos simplificar nossa logística, ganhar em volumes, focar em marketing. Todas as irritações com os pequenos e médios produtores são transportadas para políticas públicas demagógicas e que viram letra morta com o simples fechar das torneiras do crédito ou dos orçamentos dos diferentes programas.

O pequeno e médio produtor de leite vai acabar, alertam com certa alegria…, ou “eles não vão subsistir… é melhor mesmo que acabem…”

Quem lê essa postagem deve estar duvidando que esses arautos da concentração existam. Lamento dizer: existem e estão menos enrustidos. Alguns estão pecando por pensamentos, outros por obras.

O Brasil não deve e não pode prescindir dos pequenos e médios produtores. A produção de leite gera milhões de empregos e renda… em algumas regiões é a única atividade que oferece uma contínua renda para pequenas e médias propriedades, a única antes de se deixar o estabelecimento rural improdutivo totalmente. Pequenos produtores de leite são heróis nesse Brasil. Mesmo com baixa produção formam seus filhos nos mais diversos cursos superiores. Trabalhando 365 dias por ano, não tem muitas alternativas para seu trabalho atual.

A função de qualquer homem da área pública, ou mesmo de qualquer empresa privada, é por definição de prioridade aos benefícios SOCIAIS a seus alcances! Quem trabalha no setor leiteiro não pode se esconder atrás de aplausos à excessiva mecanização, intensificação dos confinamentos, deslumbramento pelas quantidades. Qualquer cidadão que mereça essa designação tem que dar sua cota de ideias e trabalho para que cheguem ao pequeno produtor assistência técnica, assessoria ao manejo e reprodução, genética mais robusta e produtiva, etc., etc.

Temos que ajudar os pequenos a melhorar e sobreviver!! Temos que ajudar os pequenos a terem preços mais justos! Não podemos aceitar sem estudar que um fornecedor que produz pouco receba o valor x por um kg de leite, e um grande produtor receba 2X. É claro que a quantidade oferece com a economia de escala suas vantagens…, mas será que isso deve dizer que é o DOBRO???

Brasileiros, a produção de leite tem preciosa função social… o que vamos fazer HOJE, efetivamente para apoiar os heróis que produzem leite no Brasil?

Por Evandro Guimarães – Jornal do Brasil

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