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Pesquisa desenvolvida pela Emater busca oferecer variedades mais produtivas de mandioca

Foco do programa é obter materiais adaptados às condições específicas das Regiões Norte e Nordeste de Goiás, caracterizadas pelo baixo índice de chuvas e solos mais pobres em nutrientes

Foco do programa é obter materiais adaptados às condições específicas das Regiões Norte e Nordeste de Goiás, caracterizadas pelo baixo índice de chuvas e solos mais pobres em nutrientes

Com o objetivo de disponibilizar novas tecnologias aos agricultores familiares do Estado, para que possam alavancar sua produção, o Governo de Goiás, por meio da Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater), desenvolve um programa de melhoramento genético de mandioca na Estação Experimental de Porangatu, município do Norte Goiano. A pesquisa, realizada com a espécie Manihot esculenta, busca principalmente obter variedades mais produtivas, adaptadas às condições das regiões Norte e Nordeste.

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O coordenador do programa, engenheiro agrônomo e doutor em Genética e Melhoramento de Plantas, Ivanildo Ramalho, explica que essas regiões detém algumas particularidades que podem impactar negativamente a produtividade da raiz. “São ambientes mais estressantes para as culturas, onde a precipitação é menor e o solo é mais empobrecido em relação a nutrientes”, esclarece. Segundo ele, produtores costumam implantar em suas terras manivas de mandioca provenientes de outras áreas, que possivelmente apresentarão desempenho produtivo inferior, já que são variedades não adaptadas às condições ambientais do lugar em que estão sendo empregadas.

O projeto é responsável pela manutenção de uma coleção de 15 genótipos de mandiocas de mesa e cinco de indústria, obtidos através de coletas nas principais áreas de plantio do Estado. Cultivados na Estação Experimental, os genótipos são avaliados para que os mais produtivos sejam utilizados como progenitores. O cruzamento genético – processo conhecido como hibridação – realizado entre os progenitores permite o aparecimento das novas combinações, compostas pelas variedades que a pesquisa espera resultar.

“A expectativa é que as variedades sejam mais produtivas, tolerantes à baixa incidência de chuvas, estáveis em solos com pouco nutrientes e resistentes a pragas e doenças geralmente observadas nas regiões em questão”, observa Ramalho. A bacteriose, principal doença da mandioca, caracteriza-se por manchas angulares e de aparência aquosa nos folíolos, murcha das folhas e pecíolos, morte descendente e exsudação de goma nas hastes, além de necrose dos feixes vasculares e até mesmo morte da planta.

Atualmente, existem na Estação Experimental 33 genótipos obtidos por meio de polinização cruzada que serão avaliados a partir de 2021 em testes preliminares e avançados de produtividade. Esses materiais encontram-se em desenvolvimento vegetativo para posterior coleta de manivas que serão utilizadas nos futuros ensaios experimentais. A previsão é que no ano que vem sejam descartados os genótipos com produtividade muito abaixo da média das variedades normalmente plantadas na região. Já em 2022, serão instalados os testes avançados de produtividade com os materiais que apresentarem boas características agronômicas no teste anterior.

Para o pesquisador responsável, o programa de melhoramento é especialmente importante devido à popularidade da mandioca na agricultura e na mesa do brasileiro. “Essa cultura é uma das mais exploradas pelo pequeno agricultor, tanto para comercialização da raiz quanto para consumo próprio. A partir da raiz é possível ter subprodutos como farinha da mandioca e amido, que são base para várias receitas. No caso da parte aérea vegetativa, pode-se utilizá-la na produção de alimentação animal”, afirma.

Cerveja de mandioca

Nos últimos meses, a mandioca tem ganhado ainda mais evidência após o Governo de Goiás assinar um protocolo de intenções junto à Ambev para o lançamento de uma cerveja produzida com a fécula da raiz. A empresa já demandou cerca de três mil toneladas de mandioca produzida apenas por agricultores familiares do Estado. A Emater é responsável pelo mapeamento e organização das famílias fornecedoras, para que produtores de pequeno porte, que têm dificuldade de comercializar seus produtos, sejam contemplados.

O trabalho conjunto do Executivo e da unidade da empresa sediada em Anápolis vai impactar positivamente a vida de aproximadamente 2,5 mil pessoas do Nordeste Goiano, primeira região responsável por fornecer a matéria-prima para produção da bebida. “Como governador, não podemos ter um viés eleitoreiro. Temos que ter a coragem de assumir Goiás como um todo. Onde o Estado precisar terá a mão forte do governo para combatermos as desigualdades regionais”, destacou Ronaldo Caiado durante o evento de lançamento oficial da cerveja, ocorrido no início deste mês.

Inicialmente, o projeto envolvia somente produtores da Região Nordeste, mas foi ampliado para famílias de todas as regiões goianas. “A expansão do programa de comercialização permitirá aos pequenos produtores rurais terem as condições necessárias para se consolidarem economicamente. Eles terão a garantia de venda do insumo, com previsibilidade e planejamento, o que propicia maior controle e organização da produção”, pontua o presidente da Emater, Pedro Leonardo Rezende.

Por Comunicação Setorial da Emater – Governo de Goiás

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