Por causa do clima, safra de sementes de forrageiras cai pela metade e preços triplicam. Associação Unipasto e empresas alertam pecuaristas para o riscos do produto pirata.

Adquirir sementes de forrageiras para a reforma, recuperação ou formação de novas pastagens no próximo ciclo pecuário poderá ficar até três vezes mais caro para o criador. Isto porque o setor vive uma crise sem precedentes, com uma quebra estimada em 50% na produção.

O grande vilão foi o clima: uma sucessão inesperada de dois fenômenos climáticos, o El Niño e a La Niña, que afetaram as principais regiões produtoras de sementes forrageiras do País: Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Oeste da Bahia e Oeste de São Paulo. O resultado é uma queda estimada de 60.000 para 33.000 toneladas de sementes disponíveis no mercado para o plantio que deve ter início a partir deste mês de setembro.

Segundo Pierre Marie Patriat, presidente da Unipasto (Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramentos de Forrageiras), com sede em Brasília, DF, a menor oferta de sementes era prevista porque houve uma redução de área plantada estimada em 20% em 2016. “Já contávamos com uma queda na safra e estoques zerados, mas ninguém imaginou que o clima afetaria a produção em todo o País”, disse. A queda no volume colhido pressiona ainda mais os preços, que triplicaram, saindo dos R$ 9,00 cobrados em média no ano passado pelo quilo da semente para até R$ 25,00 agora.

A atuação mais prolongada do El Niño, o mais forte registrado desde 1998, reduziu as chuvas na maioria das áreas do país, prejudicando o enchimento das cultivares mais tardias, que são semeadas no começo do ano. Na sequência, justamente na fase em que tem início a colheita das sementes, a partir de abril, a chegada do fenômeno La Niña provocou o aumento da intensidade das estações chuvosas no nordeste, e na região Amazônica, se estendendo para estados da região central, como Goiás e Mato Grosso.

A quebra da safra no nordeste, onde está concentrada a maior parte da produção da braquiária ruziziensis, chegou a 80%. Nas demais regiões, a redução da produção ficou entre 30% e 40% em média. A receita, segundo a Unipasto, não deve ser afetada, mantendo o mesmo patamar de 2015, R$ 1,2 bilhão, embora parte das indústrias tenha fechado contrato de venda com os pecuaristas antes da confirmação da quebra de safra e a consequente enxurrada de reajustes observados atualmente.

As principais quebras de safra foram observadas nas variedades de braquiária ruziziensis muito comum na formação de areas de ILPF (80%) (Integração Lavoura, Pecuária e Floresta) e de marandu e xaraés+ (70%), as mais procuradas pelos pecuaristas.

A expectativa é de que a procura por sementes de forrageiras seja maior, especialmente entre os criadores do centro-oeste que perderam grandes áreas no ano passado por causa da seca. Também concorrem pela matéria-prima o agricultor que faz pasto de inverno em áreas de ILPF. Além, disso há a demanda dos mercados externos. Hoje, o Brasil exporta para toda a América Latina e alguns países da África. “Deve haver um encolhimento de 30% no tamanho das áreas de pastagens que serão reformadas”, estima Luís Fernando Calábria, diretor da Sementes ACampo, de Tangará da Serra, MT.Segundo ele, “o produtor logo verá que o reajuste é uma tendência do mercado e terá que se adequar”.

Reajustes semanais

Em Lambari D’Oeste, na região de Cáceres, MT, o pecuarista Leonardo Carvalho Lemos, dono da Fazenda Rio Vermelho, já tinha gradeado 600 hectares da propriedade para terminar o processo de reforma dos pastos, que começou em 2011. Mas, quando foi ao mercado, comprou semente suficiente para cobrir apenas metade desta área. “Nos últimos cinco anos paguei entre R$ 8,50 e R$ 12,50 o quilo da semente de xaraés. Este ano, o mais barato que encontrei foi R$ 18,00/ kg”, afirma o criador, que adquiriu 20 sacas no início de agosto para formar 300 hectares.

No fim do mês, quando conversou com DBO, a cotação da cultivar na região já havia subido para R$ 28,00/kg. “Vou deixar o restante da área para o ano que vem, mas sei de muitos pecuaristas aqui na região que desistiram de mexer nas pastagens este ano”.

O susto dos pecuaristas tem uma explicação: no ano passado, a estimativa inicial do mercado era de uma cotação em torno de R$ 13,00/kg, mas, por causa do excesso de oferta, os preços ficaram em média, R$ 9,00/ kg. “Saímos dos valores mais baixos da história para registrar um recorde no reajuste da matéria prima”, aponta o engenheiro agrônomo Itamar Alves de Oliveira Jr, diretor da Sementes Oeste Paulista (Soesp), de Presidente Prudente, interior de São Paulo. Itamar Jr explica que, comparado ao ano de 2010, o reajuste no preço das sementes gira em torno de 20%, mas quando equiparado a 2015, o aumento chega a ser de até 300%.

Segundo Murilo Nahas, diretor comercial da J.C Maschietto, de Penápolis, SP, a colheita da semente é feita em sua grande maioria por varredura, um processo que custa, em média R$ 900,00 por hectare. “Após o corte e o enleiramento da palha, uma máquina passa aspirando as sementes que estão no chão”, explica.

Em algumas áreas de plantação de braquiárias, por exemplo, os produtores estão colhendo 15.000 pontos de pureza onde tradicionalmente se colhia 50.000. “Em condições normais, o agricultor nem colheria este volume, mas com a possibilidade de receber até R$ 0,25 pelo ponto de pureza, muitos vão colocar as máquinas no campo”, aposta Nahas.

Fonte: Revista DBO 431


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