Típico produto da alimentação brasileira, o feijão é cultivado por pequenos e grandes produtores em todas as regiões. No entanto, de acordo com o 11º levantamento da safra 2015/2016, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em agosto, a produção de grãos para a safra está estimada em 188,1 milhões de toneladas. Redução de 9,5% em relação à safra 2014/15. O feijão teve redução na área e na produção das culturas de primeira e segunda safras. Para a terceira safra estima-se redução de área em quase todos os estados produtores, visto que o plantio está sendo finalizado e o baixo nível dos mananciais está inibindo a irrigação.

Na contramão das baixas produções deste ano a inoculação em feijoeiro vem para ajudar os produtores a alavancarem a produtividade das plantações. Segundo o consultor da Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Inoculantes (ANPII), Solon Araujo, a ideia de que as bactérias que nodulam o feijoeiro fixam baixas quantidades de nitrogênio já está totalmente ultrapassada pelos dados obtidos pela pesquisa nos últimos anos. “Informações de que o feijoeiro, por seu ciclo curto ‘não teria tempo para acumular nitrogênio’, de que as bactérias teriam baixa eficiência, já foram demonstradas como falsas”, enfatiza.

A pesquisadora Ieda Mendes apresentou resultados positivos na última RELARE, realizada em agosto deste ano. Após o isolamento e a seleção de estirpes de Rhizobium tropici os resultados de pesquisa demonstram que o feijoeiro responde de maneira clara à inoculação, permitindo trabalhar com níveis muito baixos de fertilizante nitrogenado.  Os dados mostram aumento médio de 10,8% na produtividade do feijoeiro com o uso de inoculantes, sem fertilizante nitrogenado, para produções acima de 3.000 kg/ha.

Portanto, hoje já está bem definido que uma inoculação bem feita, com inoculantes de elevada qualidade, pode proporcionar economia na adubação nitrogenada, com expressiva redução no custo da lavoura e ganhos para o ambiente.  “Agricultores de diversas partes do país, tanto de baixa como de elevada tecnologia utilizam a inoculação como forma de diminuir custos da lavoura com aumento de produtividade, aproveitando ainda o nitrogênio que fica no solo para ser aproveitada para a cultura seguinte”, explica Solon.

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Outros dados de pesquisa mostram aumentos consideráveis:

– Pelegrin et al, 2009, demonstraram aumentos de 6 sacas por hectare com o uso de inoculante, produzindo 3339 sacas/ha

– Claudia Nogueira, 2005 evidenciou aumento de 19 sacas em relação à testemunha não inoculada, obtendo 3,627 sacas/ha.

Sobre a ANPII

A Associação Nacional dos Produtores e Importadores de Importadores de Inoculantes (ANPII) foi fundada em 1980 e reúne 11 empresas (Agrocete, Biagro, Bioagro, Basf, Grupo Bio Soja, Microquimica, Nitro 1000, Novozymes, Rizobacter do Brasil, Stoller e Total Biotecnologia) que comercializam inoculantes no país. A principal atividade da associação, além de representar as associadas, é um trabalho para a melhoria contínua dos inoculantes e pela divulgação desta técnica junto à assistência técnica e agricultores. A ANPII tem muito claro que a Fixação Biológica do Nitrogênio é uma tecnologia estratégica para a cultura de leguminosas e já está a caminho para outras famílias de plantas. Mais informações pelo site: www.anpii.org.br.

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