Forragem e concentrados são responsáveis pela maior parte do custo de produção de leite. Em algumas fazendas o custo alimentar pode chegar a 70% do custo de produção. Por isso, é de extrema importância para o produtor controlar esta parte do custo para assegurar maiores retornos.

Uma maneira interessante de aumentar o retorno da atividade leiteira é certamente capturar o máximo de nutrientes de cada ingrediente utilizado na dieta. Em uma dieta normal brasileira, próximo de 50% do que o animal irá consumir poderá ser silagem de milho. Desta maneira o aproveitamento da silagem torna-se de grande importância. Os produtores precisam trabalhar em conjunto com o nutricionista e o agrônomo para entender o que pode ser realizado na fazenda para aumentar a digestibilidade da planta de milho, como a digestibilidade pode ser medida e como a digestibilidade afeta o custo de produção.

Utilize o máximo de nutrientes dos seus ingredientes.

Os nutrientes da silagem de milho são diversos. A palha oferece fibra e o grão amido. O amido esta dentro do grão e este precisa ser quebrado para expor o amido à fermentação rumenal. Sem o correto processamento do grão da silagem de milho no momento da colheita, grande parte deste amido não será utilizada pelo animal. O correto processamento do grão da silagem de milho (figura 1) é uma ferramenta essencial na produção de leite e extremamente dependente do equipamento que esta colhendo a silagem e do operador da máquina.

Uma silagem de milho com grãos mal processados irá resultar em menos amido no rúmen e no intestino do animal. Já uma silagem de milho com grãos bem processados irá aumentar a quantidade de amido no rúmen e intestino do animal, e este irá necessitar de menos ração para produzir a mesma quantidade de leite.

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A qualidade do processamento do grão da silagem de milho pode ser medida. Existe um método chamado KPS (grau de processamento do grão da silagem de milho), que descreve a porcentagem de amido que estará disponível para vaca. Existem três graus de qualificação da silagem de acordo com KPS:

– silagem mal processada: KPS < 50%
– silagem adequadamente processada: KPS >50% e <70%
– silagem bem processada: KPS > 70%

Um experimento realizado nos EUA concluiu que o KPS médio naquele país era de 58%. Em um segundo experimento, realizado na Califórnia, pesquisadores focaram em dois questionamentos: quais seriam as melhores práticas de operação da máquina que colhe a planta de milho e qual o impacto no custo da dieta de uma colheita bem realizada. Foram coletados 11.000 amostras de silagem de milho. Quando comparado à média (58%), se o produtor trabalhasse para melhorar o KPS (passar para valores maiores de 70%), este poderia economizar R$0,46/vaca/dia. Certamente uma economia que impactaria o retorno da atividade leiteira.

Portanto, o correto processamento da silagem de milho pode ser uma ferramenta imprescindível para a continuidade na atividade em momentos difíceis.
Adaptado de: There is more to processing than meets the eye. Luciana Jonkman. Hoards Dairyman. Fevereiro 2015.

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