Opinião

Imparcialidade: um estado transcendental quase mitológico

Alcançar a imparcialidade nos dias atuais é quase como alcançar o Samadhi oriental, um estado mental transcendental que é caracterizado pela suspensão e compreensão da existência do todo em comunhão com o universo. Entenda!

Antes de avançarmos é importante você saber que imparcialidade não tem haver com nenhuma religião ou qualquer filosofia transcendental, fizemos a referência ao Samadhi para que você perceba o quão delicado é este conceito e como é sútil o seu emprego na vida prática das redações. Então saiba que imparcialidade é um termo bastante praticado na imprensa e na justiça que se refere ao ato de não privilegiar ninguém e/ou nenhuma parte, ou seja, ser imparcial.

Como exemplo, iremos ilustrar um ato contrário ao da imparcialidade, veja: se um árbitro de futebol beneficia a equipe para o qual ele torce, ele está sendo parcial (e a mãe dele vai sofrer um pouco com as críticas..kkk). Então podemos dizer que o contrário da imparcialidade é a parcialidade.

Uma curiosidade a respeito da ética e profissionalismo na comunicação, aconteceu em janeiro de 2012, onde a Associação dos Cronistas Esportivos do Rio de Janeiro decidiu punir profissionais da mídia que comemorarem gols durante uma partida. A medida ocorreu após o repórter Eric Faria, da TV Globo, ser flagrado pelas câmeras do Premiere, da Globosat, comemorando o primeiro gol vascaíno durante uma partida entre Fluminense e Vasco. Mais uma vez, um exemplo de parcialidade jornalística.

Um artigo escrito por Victor Viana, em 09/04/2013, na edição 741 da revista Observatório de Imprensa, nos diz que há uma utopia na busca pela imparcialidade jornalística.

No texto ele nos alerta sobre aqueles que superestimam a profissão de jornalista, talvez iludidos pela mídia de fofocas que deu um upgrade na imagem de alguns coleguinhas, fazendo com que o leitor – na maioria das vezes apenas telespectador superficial de telejornais – passasse a ver e crer na função como algo glamoroso.

Inspirados muitas vezes em personagens de telenovelas, veem o jornalista como um herói acima do bem e do mal. Na outra ponta da corda estão os que – incluso jornalistas – consideram-nos como “mercenários”, afinal escrevemos para quem nos paga. Salvo o exagero, o certo é que jornalismo é uma profissão como outra qualquer e, como em qualquer profissão, trabalhamos para comprar pão e leite, pagar conta de luz e água, coisas comuns de pessoas comuns.

O certo é que devamos buscar a tal “imparcialidade” como uma utopia a ser perseguida de forma a sermos o mais justos possível, sem nos perdermos em ilusões. Quando me perguntam sobre ética jornalística, respondo o que li ou ouvi – e não me recordo de quem – que se como jornalista tiver de prejudicar alguém importante pense duas vezes e se for prejudicar alguém que não terá condições de se defender depois, não o faça, finaliza Victor Viana.

Jornalismo ideal: imparcialidade e outros mitos

Uma publicação feita em 2006, no site Repórter Brasil, relata que no jornalismo, “imparcialidade” é um conceito muito anunciado, mas impossível de ser conseguido.

Em suas peças publicitárias e mesmo em seu discurso editorial, a maioria das empresas jornalísticas se diz imparcial e neutra – mas os próprios manuais de redação indicam que a neutralidade total nunca será atingida.

Como o jornalismo não se faz apenas de textos, mas também de imagens, as fotografias publicadas em jornais e revistas têm grande influência sobre os leitores. Embora muitos considerem as fotos como “testemunhas da verdade”, as imagens estão sujeitas a inúmeras modificações.

A maneira como um fato ou personalidade é enquadrado, o modo como a foto é colocada numa página ou numa capa, o tratamento no computador, enfim, vários fatores podem direcionar o olhar e formar a opinião.

Conseguem perceber o quão difícil é conquistar a tal “imparcialidade”? Então vamos continuar a ampliar o entendimento sobre este valor tão importante para o jornalismo.

Imparcialidade: um estado transcendental quase mitológico 1

Robô promete fazer jornalismo 100% imparcial

A revista Super Interessante publicou, em abril deste ano, uma matéria no mínimo intrigante, em meio a tantos debates sobre fake news e polarização política, as pessoas estão cada vez mais céticas com os veículos de comunicação tradicionais. Uma startup dos EUA diz ter a solução para isso: um robô jornalista, supostamente capaz de escrever notícias com 100% de imparcialidade. A empresa se chama Knowhere, e criou um bot que lê sites de notícias para determinar quais são os temas mais importantes no momento.

A partir daí, o software escreve três artigos sobre cada assunto. Um deles adota uma postura favorável, outro é crítico e o terceiro é imparcial. Ao escrever uma notícia sobre o Facebook, por exemplo, o robô redigiu os seguintes títulos: “Facebook admite espionar o Messenger” (viés negativo), “Facebook escaneia o Messenger para remover conteúdo impróprio” (viés positivo) e “Facebook escaneia mensagens enviadas no Messenger” (versão neutra). Os fatos em si não mudam. O que muda são as escolhas de palavras e as ênfases do texto.

Depois que o robô escreve o texto, um grupo de nove editores humanos coloca a mão na massa para deixar o texto mais claro e agradável de ler. Os editores não têm autonomia para alterar as informações em si. As notícias “imparciais” podem ser lidas no site da Knowhere, que em alguns casos também publica as versões críticas e favoráveis de cada texto.

O algoritmo atribui maior peso à fontes confiáveis, como o New York Times, e menos peso a sites menores. A fonte que for pega espalhando informações falsas é expulsa do banco de dados. Por hora, a inteligência artificial possui limitações graves, como a impossibilidade de fornecer um furo jornalístico, por exemplo.

O novo jornalista ainda está no início de sua carreira e, como todo iniciante na profissão, ainda tem muito o que aprender. Principalmente, no que se refere a ter um olhar crítico sobre os fatos. Mesmo assim, já está com emprego garantido pelos próximos anos: a Knowhere recebeu US$ 1,8 milhão de investidores. Mais dinheiro do que a maioria dos jornalistas consegue juntar durante a vida.

Você deve ter percebido que estão tentando criar a imparcialidade digital através deste robô, não é verdade? mesmo assim ainda existirá a intervenção humana, ou seja pode haver parcialidade na condução dos fatos.

Parcialidade ou imparcialidade? eis a questão

Agora vou compartilhar com vocês um caso ocorrido aqui mesmo neste portal. Nós atuamos na comunicação do agronegócio brasileiro, nossa missão é de levarmos informações com qualidade e relevância aos produtores rurais, contribuindo para o crescimento do agronegócio no Brasil. Por isso nosso slogan é “AGRONEWS BRASIL | Informação para quem produz”.

Portanto temos um compromisso muito forte em reunirmos os principais assuntos relacionados ao setor e garantir o acesso a informação com transparência, ética, imparcialidade e credibilidade. Nós acreditamos no Brasil e estamos sempre prontos para cumprir a nossa missão de informar.

Baseado nestes valores, além de publicarmos aquilo que é factual, procuramos garantir a livre expressão das opiniões contraditórias, por isso mantemos em nosso site um caderno de “Opiniões” com temas diversos e opiniões divergentes, todas as matérias publicadas no AGRONEWS BRASIL, podem ser comentadas pelo leitor. Com isso, temos a certeza de manter o canal sempre aberto aos diversos pensamentos e opiniões.

Bem depois de toda esta explicação, como disse antes, aconteceu conosco um fato que merece reflexão. Temos uma rede de distribuição de conteúdos que utiliza os grupos de Whatsapp, todos relacionados ao setor, para compartilharmos os artigos e notícias publicadas no AGRONEWS BRASIL, e fazemos isso diariamente. Não é a primeira vez que isso acontece, quando publicamos uma matéria que vai contra a ideologia de alguns integrantes do grupo, mesmo sendo um fato, somos taxados como oposição, o mesmo acontece quando publicamos algum conteúdo que reflete a opinião contrária, somos atacados pelos contrários. Ou seja, manter uma comunicação imparcial é um ato de coragem e perseverança.

Agora eu pergunto à você, como ser imparcial sem mostrar os lados envolvidos? é justamente isso que procuramos fazer aqui, deixar que todos tenham o seu direito de livre expressão respeitados, manter os canais de comunicação sempre abertos às instituições, empresas, produtores e público em geral.

O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, publicado pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), tem como base o direito fundamental do cidadão à informação, que abrange seu o direito de informar, de ser informado e de ter acesso à informação. E o compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, razão pela qual ele deve pautar seu trabalho pela precisa apuração e pela sua correta divulgação. Além disso, combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.

Somente a veracidade dos fatos nos interessa, sem ideologias, sem pré-conceitos, sem indução de nenhuma espécie, apenas levar informações relevantes àqueles que fazem este país crescer, contribuindo para o desenvolvimento do nosso país. Esta é a nossa nobre missão!

Agora chegou aquele momento que consideramos o mais importante, o da sua opinião. Aproveite este artigo para tomar coragem e deixar seu comentário a respeito deste tema ou de outro que julgar necessário, somente assim construiremos um veículo forte e com credibilidade, pois será construído com a sua ajuda.

Por Vicente Delgado – AGRONEWS BRASIL

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Um Comentário

  1. Caro Vicente Delgado, este material referente à imparcialidade é amplo e complexo como referido na matéria. Tenho a convicção de que o jornalista é um pesquisador que relata fatos e propõe a discussão. Por isso é necessário buscar todas as facetas do assunto e evitar conclusões apressadas. Talvez seja esse o ideal do jornalismo imparcial, Por outra parte, sabe-se que o fator econômico tem mostrado o contrário. A imparcialidade existe e agride ao leitor e a alguns profissionais do jornalismo, em função de interesses quase sempre discutíveis. Este é um problema, nos tempos atuais, e que não terá solução a curto ou médio prazos. A educação de uma sociedade é a solução para este problema. Quando leio ou ouço uma notícia juntamente com outras pessoas que ainda não tem um “olhar” crítico sobre o fato, eu alerto dizendo que não devemos acreditar de imediato no que está sendo relatado, mas esperar por mais fatos que ampliem o material divulgado. Uma sociedade com educação apropriada vai saber distinguir o que está sendo escrito nas entrelinhas. Esta mesma sociedade vai ser o fórum das discussões mais relevantes e descartar empresas e profissionais que insistem em colocar alguma “cor” no que é dito. Assim, as empresas que patrocinam veículos e jornalistas pensarão melhor onde investir em credibilidade graças a imparcialidade que precisa ser dominante. Uma sociedade “potente” é aquela que almeja educação.

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