Massa de ar polar avança pela região e geadas devem ocorrer na terça e quarta; áreas de pastagens, trigo e café devem ser as mais afetadas

A massa de ar polar que atingiu o Chile no fim de semana chegou ao Brasil provocando quedas nas temperaturas – que podem chegar a 5 ºC negativos – e até mesmo neve em alguns pontos do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Nos próximos dias, com o ar ficando mais seco, a expectativa é de geadas. “O risco é de geada generalizada em toda a região Sul e no sul de Mato Grosso do Sul entre terça e quarta-feira”, diz o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Rural Clima.

Santos afirma que as geadas devem afetar principalmente as pastagens e o trigo na região Sul, mas também áreas de café no Paraná e cana e milho em Mato Grosso do Sul. Segundo nota do Agroclima (Climatempo), os riscos para o milho no sul de Mato Grosso do Sul e no oeste do Paraná são baixos devido ao estágio mais avançado das lavouras. “As pastagens e culturas que estiverem em uma fase de desenvolvimento um pouco mais sensível, como o trigo, devem sofrer mais”, afirma Graziella Gonçalves, da Somar Meteorologia.

A meteorologista explica que a condição se mantém até quarta-feira. “Na quinta, essa massa de ar polar perde intensidade e acaba se dissipando. As temperaturas seguem um pouco mais baixas, mas não existirá risco de geada”. Por sua intensidade, a massa de ar polar terá força para chegar até o Acre, mas nas outras localidades o efeito será apenas de queda nas temperaturas. “O que vai proteger as culturas em São Paulo e sul de Minas será a chuva”, relata Santos. Como a região deve ter bastante umidade, não ocorrerá a formação de geadas. “Entre quarta e quinta, as temperaturas vão cair nessas regiões, mas a queda não deve ser tão brusca para ocasionar geadas no sul cafeeiro de Minas, por exemplo”, conta Gonçalves.

Café – Nesta segunda-feira, 17, o Instituto Agronômico (Iapar) e o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) emitiram alerta de geada para a madrugada de terça na porção oeste da região cafeeira do Estado, contemplando as cidades de São Jorge do Patrocínio, Umuarama, Jesuítas e municípios próximos. O comunicado ainda não descarta a possibilidade de geada em outras regiões e ressalta que os produtores devem ficar atentos às previsões meteorológicas.

“A recomendação para os plantios novos, com até seis meses de campo, é enterrar as mudas”, diz o comunicado. Já os viveiros devem ser protegidos com camadas de cobertura plástica e/ou aquecimento. Assim que cessar o risco de geada, essas proteções devem ser retiradas de imediato.

“Nas lavouras com idade entre seis meses e dois anos, a recomendação aos produtores é amontoar terra no tronco das plantas até o primeiro par de folhas. Essa proteção deve ser mantida até meados de setembro, e depois retirada com as mãos”, explicam os técnicos.

Na quarta-feira, segundo o Simepar, todo o Estado pode ter geadas, com exceção do litoral. Na faixa sul, há risco de geadas fortes.

Geada negra – O Simepar sinalizou em seu boletim a possibilidade de geada negra no Paraná. Gonçalves diz que a chance existe, mas em pontos localizados. “Para ter geada negra, você precisa de condições com ventos mais fortes e baixíssimas temperaturas. Isso até pode ocorrer, pois há o risco de rajada localizada, mas será algo isolado”, explica. A geada negra é mais agressiva, porque “queima” a seiva no interior da planta, impedindo sua sobrevivência.

“Por isso, esses episódios entre terça e quarta podem ser mais preocupantes. Não só pela geada negra, mas também porque a branca pode ter um pouco mais de intensidade e prejudicar culturas e pastagens”, conclui Gonçalves.

Fonte: Portal DBO

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