É notório que em 2018 os preços de frango, suíno e boi vivos permanecem em níveis baixíssimos. O que não se pode negar, porém, é que – do ponto de vista sazonal (safra e entressafra) – vêm mantendo o comportamento tradicional

Ou pelo menos vinham. Pois o movimento dos caminhoneiros em maio passado (com extensão para junho corrente) faz, agora, com que o frango e o suíno vivos subvertam a curva sazonal. Já o boi em pé, menos afetado, segue sua marcha natural.

O primeiro gráfico abaixo mostra como, na média dos últimos 18 anos (2000 a 2017) se comportaram, ao nível do produtor, os preços dos três animais (preço médio do ano anterior = 100). À curva anual foi acrescentado o desempenho dos seis primeiros meses de 2018 (até 13 de junho).

Como se constata, neste ano, até abril, o desempenho esteve bem aquém da média registrada em quase duas décadas. Em contrapartida, porém, a reversão da curva ocorreu mais cedo, em maio. E em junho corrente, antes mesmo de finda a primeira quinzena, registra crescimento agudo.

Efeito, claro, da paralisação geral a que o Brasil foi submetido entre o final de maio e o início de junho. Mas, como aponta o segundo gráfico abaixo, esse efeito vem sendo determinado apenas pelo frango e pelo suíno. Ou seja: o boi ainda permanece com cotação decrescente.

A valorização mais significativa (como se esperava, porque foi o produto mais afetado) é a do frango. Que, no momento, acumula ganho de mais de 16% em relação ao preço médio registrado em 2017.Ressalte-se, porém, que esse é um ganho absolutamente pontual, pois está restrito, apenas, ao mês de junho.

Traduzindo, mesmo com a valorização recente, o preço do frango vivo neste semestre alcança valor médio (cerca de R$2,45/kg) mais de 5% inferior à média registrada em 2017 (pouco mais de R$2,58/kg). E que, por sua vez, ficou 10% aquém da média registrada em 2016 (perto de R$2,90/kg).

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Em outras palavras, ainda que opere em condições iguais ou piores que as de dois anos atrás, o frango vivo permanece com uma remuneração média mais de 15% inferior à de 2016. Assim, não serão os (apenas aparentes) ganhos do momento que irão reverter os prejuízos até aqui acumulados pelo setor e que cresceram uma enormidade com o movimento dos caminhoneiros.

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