Dados de trabalhos sobre recuperação de pastagens e técnicas agroecológicas para controle de pragas, elaborados por meio de estudos realizados pela Embrapa no Pantanal do Brasil, serão apresentados por representantes da instituição durante o evento que reúne o VI Congresso Latino-americano de Agroecologia, o X Congresso Brasileiro de Agroecologia e do V Seminário de Agroecologia do Distrito Federal e Entorno no ano de 2017

Entre os dias 12 e 15 de setembro, são esperados cerca de 5 mil participantes no Centro de Convenções Ulysses Guimarães em Brasília, DF.

Plantio em consórcio

A equipe da unidade de pesquisa que investigou técnicas para estimular a recuperação de pastagens consorciou leguminosas e pastagens nativas como alternativa para atingir esse objetivo. A pesquisadora Sandra Santos, da Embrapa Pantanal, conta que a gramínea nativa Mesosetum chaseae (conhecida como grama-do-cerrado) foi plantada em consórcio com o estilosantes Campo Grande – ECG (uma leguminosa formada a partir da mistura das espécies Stylosanthes capitata e Stylosanthes macrocephala, lançada pela Embrapa Gado de Corte em 2000) para recuperar uma área de campo degradada na sub-região da Nhecolândia, Pantanal de Mato Grosso do Sul.

“Para áreas pobres, arenosas, elevadas, a única leguminosa que se adaptou bem foi o estilosantes Campo Grande. Os resultados foram muito bons”, afirma Santos. Nos plantios, as leguminosas representavam 30% do total, diz a pesquisadora. A taxa de cobertura vegetal total durante o primeiro ano de implantação ficou em torno de 75% (com a grama-do-cerrado e o ECG contribuindo com cerca de 30% e 20%, respectivamente). Por meio desse consórcio, foi possível elevar o nível de proteína das pastagens de 6% para até 10% – enriquecendo, assim, a dieta bovina. A introdução das leguminosas no sistema favorece também a fixação biológica do nitrogênio no solo, diz Santos. Porém, a pesquisadora ressalta: o ECG deve ser plantado nas regiões mais altas, fora das áreas inundáveis.

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Vedação de pastagem

Para promover a recuperação de áreas de pasto degradadas na região pantaneira, Santos e a equipe de pesquisa também investigaram o uso de técnicas de manejo como a vedação de pastagens, semeadura de forrageiras nativas e revolvimento do solo para estimular seu banco de sementes. O experimento que uniu essas práticas recuperou uma invernada em degradação no Pantanal da Nhecolândia. Dividida em duas, um dos trechos foi vedado na época das chuvas. “O que estava mais degradado, para tentar recuperá-lo”, conta Santos. No segundo ano das pesquisas, ambos foram vedados por apenas um mês cada e, após esse período, foi possível observar um aumento de forrageiras e da cobertura do solo em ambas as áreas.

“Essa rotação do rebanho entre duas áreas ajuda muito no manejo das pastagens porque permite a sua recuperação”, afirma a pesquisadora. Ela diz que, quando os animais podem escolher onde pastejar, preferem áreas com pasto de melhor qualidade – o que pode levar ao pastejo irregular, sobrecarregando alguns locais e subutilizando outros. “Quando você faz a vedação, os animais são direcionados a se alimentar na área correta. Assim, as forrageiras vedadas podem se desenvolver (principalmente na época das chuvas, quando se pode usar uma área menor para o pastejo. Na seca, a área é aberta porque os animais vão ter menos espécies das quais se alimentar”.

Para o terceiro ano de estudos, a equipe deve vedar as pastagens em épocas diferentes, durante o florescimento de espécies chaves – as espécies temperadas que florescem em abril, entre outono e inverno. “Podemos vedar nessa época de modo que elas possam produzir sementes e, consequentemente, levar à semeadura natural”.

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Controle de pragas

O pesquisador Alberto Feiden será o responsável por apresentar, durante o congresso, um trabalho sobre o controle de caramujos em hortas de moradores da Área de Proteção Ambiental (APA) Baía Negra em Ladário, MS. A equipe de pesquisadores da Embrapa Pantanal adaptou para a região uma técnica conhecida como armadilhas atrativas, testando a atração do caramujo-africano (Achatina fulica) a caldas naturais produzidas pelos agricultores com leite, cerveja e uma papa de farinha de trigo com cerveja. Essas substâncias eram embebidas em panos e colocadas nas plantações durante a noite. De manhã, os produtores usavam uma luva protetora para retirar do pano os caramujos atraídos pela armadilha.

Antes do estudo realizado na APA Baía Negra, um trabalho similar foi conduzido nas hortas de agricultores do Assentamento 72 de Ladário. Na ocasião, foi possível capturar mais de 500 caramujos com os tecidos embebidos na calda de cerveja, por exemplo, em apenas uma semana. Na APA, porém, a situação foi um pouco diferente. “Encontramos muito entulho, restos de construção, tábuas, telhas, tijolos velhos no local. Essas áreas tinham ainda mais poder de atração para o caramujo que as iscas usadas no experimento”, diz Feiden.

O pesquisador explica que o lixo e o entulho oferecem locais de abrigo aos moluscos, que podem então se reproduzir e continuar seu ciclo de vida. Para acabar com os caramujos é preciso, primeiramente, realizar uma faxina e retirar materiais como esses do local infestado. “A recomendação que fazemos – e que está surtindo efeito – é eliminar os esconderijos do bicho”.

A apresentação desses trabalhos integra a programação do Congresso de Agroecologia 2017, que é promovido pela Sociedade Científica Latino-americana de Agroecologia (SOCLA) e Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia) e organizados em Brasília por uma comissão formada por representantes da Embrapa, Universidade de Brasília, Emater-DF, Secretarias de Estado do GDF (Seagri e Sedestmidh), IBRAM e ISPN. Conta com o apoio de vários ministérios, organizações e movimentos sociais. O evento é patrocinado por BNDES, Itaipu Binacional e Fundação Banco do Brasil. Acompanhe as novidades no portal www.agroecologia2017.com e nos perfis do Facebook e Instagram.

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Fonte: Embrapa

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