No Estado, 28,9 mil hectares são de primeira safra e 5,1 mil hectares de segunda safra. Os pacotes tecnológicos aplicados nesta cultura são, na maioria, provenientes de recursos próprios, pois, como em MS a principal cultura da primeira safra é a soja, a expansão da área de cultivo de algodão é lenta, embora já existam cooperativas que compram e beneficiam o algodão em caroço para processamento na indústria têxtil, fabricação de óleos e ração animal.
De acordo com a assistência técnica da Conab, os produtores da região norte e nordeste do Estado (regiões de maior produção) tiveram de interromper o plantio em meados de dezembro em razão do veranico. Com a retomada das chuvas no fim do último mês do ano passado, houve o término das operações de plantio.
As lavouras plantadas estão em estádio vegetativo; o período crítico são os estádios entre a floração e a frutificação da cultura. Atualmente, a estiagem tem sido a maior preocupação por parte dos produtores e, até o presente momento, não há expectativa de perda de produtividade na cultura, sendo previsto em torno de 4.800 kg/ha para o algodão primeira safra e aproximadamente 4.200 kg/ha para o segunda safra.
As pragas e doenças das lavouras estão sob controle, pois, como são poucos produtores de algodão no Estado, os tratos fitossanitários são facilitados, já que os focos e índices de contaminação são reduzidos. Na última semana de dezembro, as lavouras de primeira safra se encontravam com plantio finalizado e em desenvolvimento vegetativo, correspondendo a aproximadamente 85% do total, e o restante em germinação. Os produtores se mostraram confiantes quanto ao aquecimento do mercado do algodão e algumas das justificativas dizem respeito à balança comercial têxtil, além da progressão da qualidade do produto ao longo das safras, que tem tido melhora significativa.
Expectativa
A expectativa é de que a safra nacional 2018/19 de algodão em pluma alcance novamente recorde de produção, impulsionada pela elevação da área semeada. Esse crescimento, por sua vez, está associado à maior rentabilidade do algodão diante das demais culturas concorrentes em áreas e ao ambiente favorável para contratos antecipados (a serem cumpridos em 2019 e também 2020), de acordo com informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP. Nessas condições, pelo segundo ano consecutivo, o Brasil continua como o quarto maior produtor do mundo e, ultrapassando a Índia, deve se tornar o segundo principal exportador, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
No período de tomada de decisão sobre a temporada 2018/19, o algodão era uma das poucas culturas com expectativa de manutenção de preços atrativos. Com isso, produtores tradicionais e também aqueles com disponibilidade de crédito e possibilidade de colheita e beneficiamento terceirizados aumentaram a área e/ou passaram a cultivar algodão.
Um fator que preocupa, contudo, é que a temporada 2017/18, colhida em 2018, já foi recorde, e os excedentes domésticos no ano passado chegaram a 1,6 milhão de toneladas. Considerando-se que a pluma da safra passada está em comercialização desde agosto/18, perdurando até julho/19, o excedente interno passa a ser de 1,3 milhão de toneladas. Volume que precisaria ser exportado para não gerar pressão sobre os preços domésticos.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, os embarques de pluma foram intensos nos últimos cinco meses de 2018, somando 670,3 mil toneladas – em dezembro/18, o volume mensal foi recorde, de 214,6 mil toneladas. Caso esse bom ritmo se mantenha, os volumes totais a serem exportados até julho/19 podem atingir recordes ou superar o excedente doméstico (de 1,3 milhão de toneladas).
Fonte: Correio do Estado
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