Doenças da soja: manejo é essencial para o sucesso nas lavouras

Repleto de oportunidades e potencial produtivo em suas lavouras, a versátil cultura da soja exerce um grande protagonismo não apenas no agronegócio, mas também na balança comercial brasileira de um modo geral

Vários fatores podem afetar a sustentabilidade e rentabilidade, dentre estes, as doenças podem acometer o cultivo da soja. Entre os principais destacam-se os fungos, divididos em três principais grupos.

O primeiro consiste em fungos saprófagos ou fungos de solo, causadores de podridões de raízes e tombamento de plântulas (Fusarium ssp; Rhizoctonia solaniMacrophomina phaseolina etc.). Estes se alimentam de diferentes substratos na matéria orgânica em decomposição no solo.

Já no segundo grupo, encontramos os fungos necrotróficos, presentes em restos e sobras da safra anterior, que podem resistir após à colheita e atuar como fonte de inóculo para a safra seguinte. Neste grupo, podemos destacar a septoriose, mancha-alvo, antracnose e cercosporioses. Pela importância e severidade nas lavouras a mancha alvo e o crestamento de cercospora são as doenças que podem ameaçar a rentabilidade dos agricultores no Cerrado,        podendo causar danos de até 35% do potencial das lavouras.  

A severidade da mancha alvo pode variar, em função do cultivo, restos culturais e do manejo de fungicidas adotados pelo agricultor. Tendo como momento correto para a aplicação o fechamento das entre linhas, a primeira e a segunda aplicação devem ocorrer 14 dias após a primeira aplicação de fungicida. É fundamental que o foco do uso de fungicidas neste período seja direcionado, considerando os restos culturais, cultivo, clima e o próprio fungicida. O cuidado também deve ser redobrado, de forma a diminuir as chances de aplicar um produto para o qual haja redução da sensibilidade do fungo aos fungicidas monossítios ou específicos. Neste caso, julga-se necessário o uso de multissítios nesta fase (1ª e 2ª aplicação) para o manejo desta doença.

Também podemos destacar a presença da antracnose como uma doença presente na soja, variando sua severidade em função do clima, cultivo e nutrição. Doença de difícil controle, pode sobreviver infectando sementes, presente nos restos culturais e no interior dos tecidos das plantas e pode se manter de forma silenciosa até o fim do ciclo. Caso encontre condições climáticas e deficiência de nutrição, pode manifestar os seus sintomas e sinais. Nas lavouras, sua presença pode ocasionar o surgimento de manchas negras, rajadas sobre as vagens em enchimento de grãos.

Ainda dentro deste segundo grupo, a cercospora também vem aumentando nas últimas safras na fase final da cultura, podendo comprometer o enchimento de grãos. Este aumento é atribuído à redução da sensibilidade do fungo aos fungicidas monossítios. Portanto, mais uma vez, há a necessidade do uso de multissítios nesta fase (3ª a 4ª aplicação) que contribuem simultaneamente para o controle da cercospora e da ferrugem asiática.

Por fim, temos o terceiro grupo de fungos denominados biotróficos, que sobrevivem e se multiplicam em plantas vivas. Este é o caso da ferrugem asiática da soja, que, a partir do momento em que infecta a lavoura, ou seja, após a terceira aplicação de fungicidas, pode provocar danos de até 90%. Semeaduras tardias (entre novembro e dezembro) e cultivos de ciclo acima de 110 dias apresentam maior risco de danos.

Em caráter preventivo, é recomendado que o agricultor leve em consideração a importância das medidas de escape, bastante utilizadas em mais de 70% das lavouras do Estado de Mato Grosso, por exemplo. Neste ponto de vista, fatores como a antecipação da semeadura, uso de cultivares de ciclo até 110 dias e com fenologia indeterminada podem ser aproveitados de forma integrada e associada, uma vez que podem contribuir com o ciclo habitual de desenvolvimento da soja e a evolução da ferrugem nas plantas.

Em linhas gerais, podemos partir da compreensão de quatro pilares básicos para o manejo e prevenção destas doenças:

§  1. Buscar cultivares com baixa severidade a fim de minimizar o desenvolvimento destas doenças e pressão de seleção;

§  2. Não usar fungicidas específicos ou monossítios que apresentem redução da sensibilidade ou resistências às doenças mencionadas;

§  3. Dar preferência a manejos usando programas de fungicidas sistêmicos, que englobem todos os mecanismos de ação;

§  4. Associar multissítios, seja em misturas prontas ou adicionados aos fungicidas sistêmicos, que podem ser utilizados concomitantemente e direcionados de acordo com a doença predominante em cada situação de lavoura.

Desta forma, poderemos vislumbrar cenários cada vez mais prósperos e sustentáveis para a cadeia produtiva.

*Dr. Eder N. Moreira é Pesquisador e Consultor na Fitolab Pesquisa e Desenvolvimento Agrícola

Por Eder N. Moreira

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Vicente Delgado

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