Entre os principais elementos de sustentação, a queda do dólar contra o real (e outras moedas) garantiu suporte à commodity na Bolsa.
Segundo o consultor de SAFRAS & Mercado, Gil Barabach, o mercado de café vive um período de grande instabilidade. “A volatilidade dos ativos financeiros internacionais, causada pelas incertezas em relação à retomada das atividades e normalização monetária mundial, justifica a grande amplitude observada no mercado internacional de café. O foco continua sendo a pandemia”, avalia.
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Para Barabach, as idas e vindas, altos e baixos do mercado, são naturais, particularmente nesse início de transição em direção a uma suposta normalidade. “O otimismo em exagero é, rapidamente, trocado pelo pessimismo, o que leva a picos de pânico e euforia, que tem impacto de forma direta as cotações da bebida”, comenta.
Pelo menos no curto prazo, observa o consultor, o mercado de café deve seguir vulnerável ao petróleo, índice de commodities CRB e DXY (Dólar Index). “No lado fundamental, a demanda continua cautelosa, embora mais esperançosa. Do lado da oferta, o radar se volta para a safra brasileira, que inicia com a colheita de conilon agora em abril e avança em direção ao arábica ao longo de maio. O café conilon deve ganhar as praças de negociação, portos e indústrias já em maio, enquanto o arábica, oficialmente, só começa a nova temporada a partir de julho”, pondera.
Esse período de transição entre as safras, normalmente, como observa o consultor, é marcado por algumas distorções momentâneas de mercado e comportamentos erráticos dos preços. “Por isso, é sempre interessante seguir atento as oportunidades. O clima também volta a ganhar mais evidência. Excesso de chuva além de atrapalhar a colheita e a secagem do café, também compromete o perfil de qualidade da safra. Já a falta de umidade por um longo período de tempo pode afetar as lavouras, comprometendo a produção futura”, analisa.
Barabach observa ainda, que, como o período de colheita é bastante longo, ainda há espaço para encaixar a temporada fria no Brasil. “Enfim, um mercado de clima com chuvas e também com inverno brasileiro, o que pode elevar significativamente a volatilidade dos preços e gerar oportunidades de negócios”, diz.
Na Bolsa de NY, cujo foco agora é o contrato julho, o desafio para essa posição é recuperar a linha de 130 cents e, com isso, dar sequência ao movimento corretivo, iniciado ao final do ano passado. “O enfraquecimento do dólar, o atraso na colheita ou um desempenho abaixo do esperado na safra brasileira pode servir de suporte aos preços, dando impulso ao movimento de alta. Mas se o mercado falhar diante da linha de 130 cents, abre espaço para uma nova acomodação negativa”, adverte Barabach. “O avanço da safra de arábica brasileiro pode criar um ambiente mais favorável a perda desse importante suporte”, conclui.
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No balanço dos últimos sete dias na Bolsa de NY (entre 01 e 08 de abril), o arábica para julho subiu de 123,55 para 129,75 centavos de dólar por libra-peso, acumulando uma alta de 5%. Em Londres, no mesmo período, o robusta para julho subiu menos (+1,9%).
No Brasil, o dólar comercial caiu no comparativo entre as quintas-feiras (01 e 08 de abril) de R$ 5,711 para R$ 5,574, tendo uma baixa de 2,4%. Isso limitou o impacto positivo da subida na Bolsa de NY sobre as cotações do café no mercado físico brasileiro.
Assim, no balanço da semana, o café arábica bebida boa no sul de Minas Gerais, com 15% de catação, na base de compra subiu de R$ 700,00 para R$ 720,00 a saca no mesmo comparativo, alta de 2,9%. Já o conilon, tipo 7, em Vitória, Espírito Santo, avançou na base de compra na semana de R$ 435,00 para R$ 440,00 a saca (+1,1%).
Por Lessandro Carvalho – Agência Safras
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