Piora na rentabilidade pode frustrar perspectiva de 12% de crescimento da Assocon.

Apesar da queda no preço dos grãos, o confinamento pode não apresentar crescimento no ano de 2018. De acordo com a Associação Nacional de Pecuária Intensiva (Assocon), era esperado uma alta de 12% no número de cabeças confinadas por seus associados em relação ao ano anterior. No entanto, cerca de 19% dos animais necessários para essa perspectiva ainda não estão garantidos pelos produtores.

Segundo o gerente executivo da Assocon, Bruno Andrade, tomando como exemplo um confinamento em SP, as margens sobre a receita bruta estão negativas desde fevereiro. “A margem bruta é o resultado da receita bruta com a venda do animal menos a despesa parcial do confinamento (aquisição do boi magro + despesas com a dieta no período de engorda). A margem bruta não representa lucro, mas sim o que sobra para pagar as demais despesas de uma fazenda. Nas simulações feitas pela Assocon, não há sobra. Portanto, os confinamentos nas condições calculadas estariam no prejuízo”, explica Andrade.

O presidente do Conselho de Administração da Assocon, destaca que o cenário atual deve reduzir as intenções de confinamento, principalmente para os pequenos produtores. “Embora em números absolutos seja possível ter expectativa de crescimento, ele não é consistente, pois parte dos animais não está garantida e o custo da engorda está em nível de paridade com os preços pagos pelo boi gordo, não havendo, assim, atratividade para o
investimento”, ressalta.

Para conseguir alcançar uma margem positiva no atual cenário, Bruno Andrade afirma que o ideal seria fechar contratos futuros de no mínimo R$ 165/@. No fechamento da tarde da segunda-feira, 16 de julho, a cotação com entrega para outubro na Brasil Bolsa Balcão (B3) foi de R$ 147,50. “Mesmo com as premiações de rastreabilidade, cota Hilton e acabamento, que podem somar de R$ 3 a R$ 5 por animal, o valor ainda seria insuficiente para garantir rentabilidade ao produtor”.

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De acordo com Leando Bovo, da Radar Investimentos, os preços no mercado futuro estão em queda desde o início de julho em função de um ajuste na precificação, já que a estabilidade na arroba no mercado físico não dava sustentação na entrega futura.

No entanto, o analista acredita a falta de gado terminado na entressafra pode contribuir para altas nas cotações e assim fomentar a atividade para o segundo giro. “O fraco desempenho do primeiro giro de confinamento deve fazer com que a oferta de boi gordo seja menor do que era esperado nos próximos meses, deixando espaço para que os preços subam tanto no mercado físico como no futuro”, conclui.

Fonte: Portal DBO/Assocon

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