Redução só iria ocorrer entre maio e junho, por conta da oferta de animais terminados para o abate

A Operação Carne Fraca, deflagrada em 17 de março pela Polícia Federal, antecipou em dois meses a grande depressão de preços do boi gordo, segundo avaliação do analista e proprietário da Scot Consultoria, Alcides Torres. A queda nos preços ocorrida desde então só iria ocorrer entre maio e junho, de acordo com Torres, por conta da oferta natural de animais terminados para o abate prevista para esse período futuro.

“O mercado volta a funcionar normalmente, mas essa crise toda antecipou, não sei se nessa intensidade, o ciclo de baixa com grande depressão de preços previsto para maio e junho. Esses dois meses que o pecuarista teria de faturamento foram perdidos e ele vai ter de recuperar isso dentro da fazenda”, afirmou o consultor, durante encontro de confinadores e recriadores da Scot Consultoria, em Ribeirão Preto (SP).

Torres avalia, ainda, que apesar da crise econômica recente e da virada de ciclo com o um cenário futuro de baixa, a pecuária de corte ainda é “um excelente negócio” e nem todos perdem na atual conjuntura. De acordo com o consultor, os preços dos bezerros de reposição ainda estão altos, o que favorece o criador desses animais de reposição, e o preço do milho, insumo fundamental para pecuária, vem caindo, o que ajuda a reduzir o custo da engorda, por exemplo.

Mesmo assim, o ciclo de baixa no setor de pecuária de corte só deve se recuperar para todos os elos da cadeia em 2020, de acordo com Torres. “Tivemos uma queda, mas a maior vai ser no ano que vem e talvez tenhamos uma recuperação em 2020, pois eu não sou nem otimista para 2019”, destacou.

Confinamento – Torres avalia que o cenário atual de queda nos preços de bezerros, do boi magro e de insumos favorece o aumento do confinamento na pecuária de corte em 2017. Ele estima que o total de animais confinados deva ficar entre 3,5 milhões e 4 milhões de cabeças este ano, ante um total entre 3 milhões e 3,5 milhões em 2016.

“No ano passado houve uma retração grande em virtude dos custos de produção e este ano os custos caíram. Temos queda do farelo de soja, do milho e do próprio animal de reposição, que representa 70% do custo”, explicou Torres.

De acordo com o consultor, a diferença de até 1 milhão de cabeças de bovinos que deixou de ser confinada no ano passado acabou indo para o mercado neste começo de ano, já que foi terminada em pastos. Essa oferta pressionou o mercado e o preço da arroba recuou.

 

Fonte: Estadão

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