Em 2023, a cadeia produtiva da soja alcançou uma cifra histórica, movimentando impressionantes R$ 635,9 bilhões, conforme dados divulgados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA/Esalq/USP). Este marco representa um crescimento de 21% em relação ao ano anterior, consolidando a soja como um dos pilares mais robustos do agronegócio brasileiro.
A abertura da 39ª Reunião de Pesquisa de Soja (RPS), realizada nesta quarta-feira(26) pela Embrapa, em Londrina/PR, reuniu cerca de 600 representantes de toda a cadeia produtiva, incluindo pesquisadores, produtores, exportadores e representantes governamentais. Este evento foi uma vitrine das mais recentes inovações e técnicas para a produção de soja, evidenciando a contínua evolução do setor.
Claudine Seixas – Presidente da RPS reforçou o compromisso do evento para embasar as discussões sobre os desafios para a produção de soja no Brasil e também fomentar a inovação para os diferentes setores desta importante cadeia produtiva. “Produzir soja está mais complexo; o que significa adotar soluções tecnológicas que assegurem processos ainda mais sustentáveis, com menor custo de produção e ampliação da renda”, afirma Claudine. “Temas como Agricultura de Baixo Carbono, Bioinsumos, Agricultura Digital, Inovações na Genética revelam que estamos sob a ótica da bioeconomia e da transformação digital, visando à segurança alimentar e à transição energética”, completa.
A soja, além de ser uma das principais culturas agrícolas do Brasil, tem um impacto econômico significativo. O valor de R$ 635,9 bilhões gerado em 2023 corresponde a 23,2% do PIB do agronegócio e 5,9% do PIB total do Brasil. Esse desempenho impressionante reflete não apenas a quantidade produzida, mas também a qualidade e a eficiência da cadeia produtiva brasileira.
O crescimento robusto deste setor deve-se, em grande parte, à safra recorde de soja no ciclo 2022/2023, que atingiu 154,61 milhões de toneladas. Esta produção recorde não apenas fortaleceu a economia nacional, mas também posicionou o Brasil como um líder global na exportação de soja.
Durante a Reunião de Pesquisa da Soja, foram apresentadas diversas inovações tecnológicas que prometem elevar ainda mais a produtividade e a sustentabilidade da soja brasileira. Entre as tecnologias destacadas estavam novas variedades de sementes geneticamente modificadas, resistentes a pragas e doenças, além de práticas agrícolas mais sustentáveis que visam reduzir o impacto ambiental da produção.
As tecnologias de precisão também tiveram um papel de destaque. Ferramentas como drones e sensores de solo, que permitem um monitoramento mais preciso das condições das plantações, foram amplamente discutidas. Essas tecnologias não apenas aumentam a eficiência da produção, mas também ajudam os produtores a tomar decisões mais informadas, economizando recursos e aumentando a produtividade.
O chefe-geral da Embrapa Soja, Alexandre Nepomuceno, destacou que a soja vem sendo usada internamente na alimentação humana e animal, o que mostra agregação de valor, porém, vê como desafio a grande quantidade de grão exportado. “Penso que existe uma necessidade de agregarmos ainda mais valor à soja internamente, por intermédio de novos produtos, como os Estados Unidos já fazem, ao produzir biocombustíveis, pneus e bioplástico de soja, por exemplo”, ressaltou.
A sustentabilidade tem se tornado um pilar fundamental na produção de soja. Iniciativas para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, conservar a biodiversidade e promover práticas agrícolas regenerativas foram temas centrais na reunião. Programas de certificação sustentável, como o Soja Plus, também foram amplamente discutidos, destacando a importância de práticas agrícolas responsáveis e transparentes.
Apesar do desempenho impressionante, a cadeia produtiva da soja enfrenta vários desafios. A volatilidade dos preços no mercado internacional, mudanças climáticas e a necessidade de práticas agrícolas mais sustentáveis são alguns dos obstáculos que precisam ser superados. No entanto, as oportunidades são vastas. O crescimento da demanda global por proteínas vegetais, o desenvolvimento de biocombustíveis e a expansão para novos mercados internacionais representam oportunidades significativas para o setor.
A Reunião de Pesquisa da Soja destacou a importância da colaboração entre todos os elos da cadeia produtiva. A cooperação entre agricultores, pesquisadores, empresas de tecnologia agrícola e o governo é crucial para enfrentar os desafios e aproveitar as oportunidades do setor. A troca de conhecimento e a adoção de inovações tecnológicas são essenciais para garantir a competitividade da soja brasileira no mercado global.
O ano de 2023 foi marcado por um desempenho excepcional da cadeia produtiva da soja no Brasil. Com um valor gerado de R$ 635,9 bilhões, o setor consolidou sua posição como um dos pilares da economia nacional. A Reunião de Pesquisa da Soja da Embrapa evidenciou o potencial de crescimento contínuo do setor, destacando inovações tecnológicas e práticas sustentáveis que prometem moldar o futuro da produção de soja no Brasil.
O Brasil, como um dos maiores produtores e exportadores de soja do mundo, está bem posicionado para continuar liderando o mercado global, impulsionado por sua capacidade de inovação e pela colaboração entre todos os atores da cadeia produtiva. A soja não é apenas uma commodity; é um motor de crescimento econômico e desenvolvimento sustentável para o país.
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