Com as perdas de mercado enfrentadas a partir da deflagração da Operação Carne Fraca (março de 2017, com extensão para 2018) o espaço deixado pelo Brasil no mercado internacional foi, com certeza, ocupado pelo segundo exportador mundial do produto, os EUA. Certo?

 

Não exatamente. Consideradas as exportações somadas dos dois países, o Brasil vem, nos últimos tempos, perdendo terreno para os EUA. Mesmo assim, a participação brasileira permanece bem acima da média registrada entre 2008 e 2015.

Quase 10 anos atrás, no principio de 2009, os volumes exportados pelos dois países foram praticamente similares – ou fifty/fifty. E, nos oito anos decorridos entre 2008 e 2015, o volume brasileiro representou pouco mais de 52% do total exportado pelos dois países, com pico de 54% em 2011.

No final de 2014 os EUA começaram a enfrentar os primeiros surtos de Influenza Aviária, problema que se intensificaria nos dois anos seguintes, 2015 e 2016. É quando a fatia brasileira sobe rapidamente e se aproxima dos 60%.

Isso, claro, poderia ser efeito, apenas, da redução das exportações norte-americanas. Mas não: o Brasil ocupou a brecha então surgida. Tanto que, em 2016, os embarques somados dos dois países se mantiveram, praticamente, nos mesmos níveis de 2014. E, além disso, 2016 foi o exercício em que o Brasil mais exportou carne de frango. O recorde então registrado (4,308 milhões de toneladas) ainda não foi superado.

A partir de meados de 2016 a participação brasileira volta a sofrer redução. Mas porque, primeiro, os EUA começam a recuperar mercados perdidos com a Influenza Aviária. Assim, a deflagração, no ano seguinte, da Operação Carne Fraca apenas intensificou o processo. Mas sem que, até agora, a participação do Brasil tenha retornado aos níveis observados entre 2008 e 2015.

É verdade que nos últimos dois anos e meio a participação brasileira recuou cerca de 40%. Mesmo assim alcança média superior a 56%, ou seja, quatro pontos percentuais acima do que registrou entre 2008 e 2015.

Por Avisite

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