O texto vazado na imprensa de uma das propostas da Previdência na véspera agradou aos investidores e levou o Ibovespa a, mais uma vez, renovar máximas. No entanto, a proposta foi considerada dura até mesmo por membros do governo e o ministro da Economia, Paulo Guedes, começa hoje as conversas com os presidentes da Câmara e do Senado para pavimentar a votação das medidas.

Com Bolsonaro sem previsão de alta, o vice Hamilton Mourão vai liderar a reunião semanal com ministros. No exterior, expectativa com discurso de Donald Trump e bolsas asiáticas fechada para o feriado.

1 – BOLSAS MUNDIAIS

Os índices futuros dos Estados Unidos apontam para uma abertura em leve alta com os investidores à espera do discurso de Donald Trump sobre o Estado da União. O mercado espera por sinalizações quanto à guerra comercial com a China e a paralisação parcial do governo diante do impasse com o muro na fronteira com o México. Os investidores aguardam ainda a divulgação de balanços de empresas como Ralph Lauren e Disney.

As bolsas na Europa caminham para nove semanas de ganhos em meio a balanços positivos. Na Ásia, as bolsas na China e em Hong Kong permanecem fechadas ao longo desta semana devido ao Ano Novo Lunar. O índice do Japão encerrou em leve queda.

Os preços do petróleo operam em alta com as perspectivas de menor oferta global após as sanções dos Estados Unidos contra a Venezuela e os cortes na produção liderados pela Opep.

Confira o desempenho do mercado, segundo cotação das 7h51 (horário de Brasília):

*S&P 500 Futuro (EUA) +0,10%

*Dow Jones Futuro (EUA) +0,19%

*Nasdaq Futuro (EUA) +0,12%

*DAX (Alemanha) +0,93%

*FTSE (Reino Unido) +1,08%

*CAC-40 (França) +0,86%

*FTSE MIB (Itália) +0,98%

*Nikkei (Japão) -0,19% (fechado)

*Petróleo WTI +0,86%, a US$ 55,03 o barril

*Petróleo brent +0,51%, a US$ 62,83 o barril

*Bitcoin US$ 3.425 +0,60%
R$ 12.513 +0,34% (nas últimas 24 horas)

2 – REFORMA DA PREVIDÊNCIA

O presidente do Senado, David Alcolumbre (DEM), marcou para hoje a primeira reunião de líderes da legislatura e estará na pauta do encontro a reforma da Previdência. Para Alcolumbre, os senadores deverão dar prioridade à reforma para equilibrar as contas da União, dos estados e dos municípios.

Nas contas do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o Palácio do Planalto terá apoio para aprovar a agenda de reformas descrita na mensagem presidencial ao Congresso, lida ontem no início dos trabalhos legislativos deste ano.

“Nós já chegamos a um número suficiente para transformar o Brasil”, disse o ministro se referindo a soma de votos obtidos pelos candidatos à Presidência do Senado mais bem votados nas eleições de sábado (2): Davi Alcolumbre (DEM-AP), Espiridião Amin (PP-SC), e Angelo Coronel (PSD-BA).

Alcolumbre recebeu 42 votos, o segundo colocado obteve 13 e o terceiro, oito. O total soma 63 votos, nove acima do quórum para aprovar emendas constitucionais, como a reforma da Previdência. No entanto, é sabido que a matemática em Brasília não é tão simples assim e esses votos poder não ser necessariamente transferidos para a aprovação da reforma.

Em busca de costurar apoio, o ministro da Economia, Paulo Guedes, reúne-se hoje com Alcolumbre e Rodrigo Maia, presidente da Câmara, para tratar da reforma.

Ontem, uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelou trechos do que seria a proposta de reforma. Segundo o jornal, o governo deve propor idade mínima única de 65 anos para homens e mulheres se aposentarem no Brasil. Além disso, a minuta de projeto ainda prevê um mínimo de 20 anos de contribuição para o trabalhador receber 60% da aposentadoria chegando, de forma escalonada, até o limite de 40 anos, para o recebimento de 100%.

O secretário especial de Previdência e Trabalho, Rogério Marinho, confirmou que o texto vazado é uma das propostas que vêm sendo analisadas pelo governo. Após o vazamento, a proposta já enfrenta resistência. “O presidente não é favorável a igualar homem e mulher. Eu concordo com ele”, disse o vice-presidente Hamilton Mourão. Militares seguem pressionando para ficar de fora das mudanças.

3 – AGENDA ECONÔMICA

Começa hoje a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). É praticamente unânime a opinião de que o Banco Central irá manter os juros em 6,5% ao ano. Apesar disso, há uma grande expectativa pelo comunicado, que pode trazer mais detalhes sobre quanto tempo as taxas permanecerão inalteradas e até se o BC avalia um corte de juros. A decisão será divulgada após o segundo dia de reunião, na quarta-feira (6)

Nos Estados Unidos, serão divulgadas a balança comercial de dezembro e a sondagem PMI não-Industrial do ISM e da Markit de janeiro.

4 – NOTICIÁRIO POLÍTICO

A alta do hospital prevista para o presidente Jair Bolsonaro para quarta-feira (6) não irá mais acontecer. De acordo com o boletim médico do Hospital Albert Einstein, o presidente teve febre, alteração de exames laboratoriais, passou a tomar antibióticos e voltou para a unidade de cuidados semi-intensivos. Ontem ele já não despachou ou realizou reuniões.

Bolsonaro ainda passou por procedimento com sonda para retirada de líquido da cavidade na região antes estava a colostomia. Segundo o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, Bolsonaro não deve ter alta antes de segunda-feira (11).

Com Bolsonaro internado, o vice-presidente Hamilton Mourão lidera mais uma reunião com ministros na manhã desta terça-feira.

5 – NOTICIÁRIO CORPORATIVO

Após divulgar seu balanço de 2018, o Itaú Unibanco anunciou também que seu conselho de administração aprovou o pagamento de dividendos no valor de R$ 1,0507 por ação. Além disso, também foi aprovado o pagamento de juros sobre capital próprio de R$ 0,7494 por ação. Os dois proventos serão pagos no dia 7 de março.

O banco ainda informou que os dividendos anunciados em 29 de novembro do ano passado, no valor bruto de R$ 0,0106 por ação (líquido de R$ 0,00901 por ação), também serão pagos no dia 7 de março. Com isso, o Itaú pagará um total de R$ 22,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio sobre o ano de 2018, valor que equivale a 87,2% do lucro líquido consolidado registrado no ano passado. Este montante representa R$ 2,3086 por ação.

O Itaú Unibanco encerrou o quarto trimestre de 2018 com lucro líquido recorrente de R$ 6,478 bilhões, uma alta de 3,15% ante o mesmo período do ano anterior. Já no acumulado do ano passado, o banco registrou um lucro de R$ 25,733 bilhões, uma alta de 3,43% ante os R$ 24,879 bilhões de 2017.

A Vale decidiu antecipar a suspensão temporária da produção das plantas de concentração do Complexo de Vargem Grande com o intuito de acelerar ainda mais o processo, “pois permitirá o início imediato da coleta de dados para elaboração de projeto detalhado”. O complexo estava na lista de descomissionamentos anunciados no dia 29 de janeiro.

Antes, uma decisão da Justiça mandou suspender a operação de oito barragens em Minas Gerais: Laranjeiras, Menezes II, Capitão do Mato, Dique B, Taquaras, Forquilha I, Forquilha II e Forquilha III. A medida deve afetar principalmente a mina de Brucutu, que tem produção anual de aproximadamente 30 milhões de toneladas, ou 7,5% da produção anual da Vale, e foi temporariamente paralisada. Brucutu é a maior mina da Vale em Minas Gerais.

Ainda sobre a Vale, uma pesquisa feita pelo Instituto Paraná mostrou que, 65,7% dos brasileiros defendem que a mineradora deveria perder sua licença de mineração. Para 52,6%, a Justiça deveria prender todos os executivos da mineradora. Outros 24,2% defendem que seja determinado o afastamento dos executivos de suas funções, determinada a aplicação de uma multa pesada, mas que não fossem congelados bens e decretadas prisões. 2,7% dos entrevistados são contra as opções de sanção por não verem culpa no episódio. 7,2% não souberam ou não quiseram opinar.

A Articulação Internacional dos Atingidos e Atingidas pela Vale formalizará hoje, por meio de membros da entidade que são acionistas críticos à gestão da empresa, um pedido ao Conselho de Administração e ao Conselho Fiscal da mineradora pela destituição de sua diretoria executiva e a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária.

Fonte: Infomoney, com Agência Estado e Agência Brasil

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