Escrevi este artigo em Ribeirão Preto, onde aconteceu a maior feira do agronegócio da América Latina e a terceira do mundo, a Agrishow, que, a cada ano que passa, desenha o cenário do campo para as próximas safras. E, este ano, o otimismo foi contagiante. Deu gosto de ver. Trata-se de um evento único, no qual se pode adquirir desde uma faca para churrasco até um helicóptero e um avião, passando por máquinas cada vez mais impressionantes, tratores a carrões 4X4. Tudo de última geração e com altíssima tecnologia embarcada.

O sinal de modernidade que a Agrishow passa aos 150 mil participantes da feira é fruto do novo ecossistema de inovação agro, que projeta a fazenda do futuro, na qual a inteligência artificial passa a ser a protagonista e está mudando totalmente a gestão do agronegócio.

São tantas opções ao nos depararmos com os produtos e soluções dos mais de 800 expositores que, certamente, um produtor rural fica tantalizado, sem saber qual decisão tomar para atender as demandas do campo. O que ficou muito claro na edição 2018 da Agrishow é que o investimento em tecnologia é um fator que pode fazer a diferença no agronegócio brasileiro nas próximas safras. E está claro que o protagonismo do campo só será alcançado, na sua plenitude, depois de minimizados os gargalos relacionados à infraestrutura básica, como a capilaridade da rede de internet de alta velocidade, além do fornecimento de energia elétrica de qualidade e melhoria das estradas. Até lá, os contrastes serão gritantes.

Um dos dados mais importantes levantados na recente pesquisa Hábitos do Produtor Rural, feita pela Associação Brasileira de Marketing Rural – ABMRA, foi que a internet chegou, definitivamente, ao campo, e isso não tem mais volta. O estudo mostrou os avanços e mudanças no perfil dos produtores rurais, a adoção de novas tecnologias e as relações e o envolvimento de quem comanda o campo com as novas formas de mídia e comunicação. E como isto se manifesta?

Por exemplo, num outro evento agro, conheci um dos mais recentes fenômenos da “web rural”, o produtor rural Giovane Weber, de Santa Cruz do Sul, com mais de 100 mil seguidores no Facebook e que transmite, como ninguém, por meio de vídeos criativos na sua página, as dificuldades e o dia-dia do homem do campo. Giovane é um cara especial. Faz questão de falar como um colono do interior do RS, mas fala perfeitamente o alemão e é um autodidata. Ele virou um influenciador digital por sua capacidade de falar a mesma linguagem de seus pares e, assim, transmitir credibilidade.

O artificialismo não tem lugar na comunicação do agro. O “novo” produtor rejeita propagandas com modelos e atores travestidos de agricultores e que miram seu bolso. Ele está se modernizando, incorporando rapidamente estas novas tecnologias e mudando o modo de gerenciar os rumos do seu negócio. Nas minhas conversas, com pequenos, médios ou grandes produtores, comprovei que não existe mais espaço para uma vida sem internet, não importa o quão longe fica a sua propriedade rural. A Netflix e a leitura de jornais via assinatura digital são citados agora, da mesma forma que a TV aberta via parabólica e o rádio eram a única forma de consumir conteúdo, tempos atrás.

E aproximadamente 3⁄4 dos produtores que têm acesso à internet costumam utilizar redes sociais. E para a troca de mensagens e comunicação, o WhatsApp tem a preferência de 96% dos produtores.

Outra pesquisa recente, a “Tecnologia da Informação no Agronegócio”, feita pelo Sebrae, identificou que 71% dos donos de microempresas rurais e 85% dos proprietários de empresas de pequeno porte no campo usam smartphones para acessar a web. Esse resultado é expressivo se for considerado que o acesso médio da população brasileira à Internet por meio de aparelhos celulares é de 62% (segundo o Google Consumer Barometer). Para o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, a pesquisa confirma a necessidade de investimentos no meio rural, de modo a aumentar o acesso dos produtores às Tecnologias da Informação. “No mundo atual, no qual o pequeno produtor precisa agregar valor ao seu trabalho e se diferenciar do restante do mercado, o acesso aos instrumentos digitais é algo fundamental para a conquista de novos públicos consumidores e para elevar o nível de competitividade do negócio”, comenta Afif. Falou e disse.

Por: Alberto Meneghetti – membro da diretoria executiva da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA), Conselheiro da Associação Latino-Americana de Publicidade – ALAP e Sócio-Diretor da e21.

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