A secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT) confirmaram nessa quarta-feira (16.12), durante uma reunião com o setor produtivo e outros representantes do segmento, que as perdas em decorrência da forte estiagem que afetou a semeadura e o desenvolvimento das lavouras até o início de dezembro já comprometeram a produtividade e vão tirar de forma direta de circulação do Estado mais de R$ 1 bilhão em 2016, conforme antecipado com exclusividade pelo Diário. Em razão do impacto financeiro, que terá desdobramentos ainda incalculáveis sobre a economia local, Estado e produtores constituíram um grupo de trabalho para realizar um levantamento mais preciso sobre as conseqüências da falta de chuvas sobre a safra 2015/2016 de soja. O governo do Estado quer acompanhar de perto a situação e se antever a possíveis perdas de receita e outros desdobramentos negativos, pois o agronegócio é a base da atividade econômica de Mato Grosso e o carro-chefe das exportações.

Mato Grosso é o maior produtor de grãos e fibras do país e em 2016 deverá manter a liderança pelo quinto ano consecutivo. Em relação à soja, o Estado oferta internamente, um terço da produção nacional e 9% da produção mundial. “Temos que acompanhar de perto e criamos o grupo de trabalho para identificarmos quais os municípios mais atingidos, para avaliarmos as perdas e traçarmos estratégias para tentar mitigar os efeitos na economia do Estado”, pontuou o secretário-adjunto da Sedec, Alexandre Possebon. A produção da oleaginosa representa 51% do PIB de Mato Grosso.

Como ficou definido, a primeira reunião do GT ocorre hoje. O grupo por representantes da Sedec, do Instituto de Defesa Agropecuária (Indea/MT), Superintendência Federal de Agricultura (SFA-MT/Mapa), Aprosoja, Ampa, Famato, Imea eIMAmt, irá realizar um levantamento da atual situação, pois as perdas de produtividade são constatadas em todas as regiões do Estado. Conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a estimativa de safra de soja foi revisada para baixo em dezembro, tanto em produção quanto em produtividade, o corte foi de 1 milhão de toneladas (t). Considerando a cotação média à soja, base Sorriso, em R$ 63,50, esses toneladas a menos vão tirar de circulação da economia local, de forma direta, cerca de R$ 1,058 bilhão.

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A nova estimativa reduziu em 3,6% a expectativa de produtividade da safra 2015/16 de soja, saindo de 52,6 sacas por hectare na estimativa de agosto para 50,76 sc/ha na de dezembro. Com o recuo da produtividade, a produção passa a projeção de 28,03 milhões t.

O presidente da Aprosoja, Endrigo Dalcin, ressaltou que a entidade já havia alertado os produtores quanto às mudanças climáticas causadas pelo fenômeno El Niño, que neste ano seriam mais intensas. “Tivemos um início de plantio complicado, que culminou em irregularidade e replantio acima de 3%. Essa reunião vai nos direcionar para ações futuras caso não chova nos próximos dias”.

Fonte: Diário de Cuiabá

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